Pular para o conteúdo
fernando.moretes.com
BlogEstudosCursosE-booksOpen SourcePodcasts
Loading…
Fernando Azevedo

Arquiteto de TI Especialista

Arquitetura, AWS, IA em produção, sistemas financeiros e FinOps, escritos a partir do que foi operado, com os números.

  • LinkedIn
  • GitHub
  • E-mail

Conteúdo

  • Blog
  • Estudos de arquitetura
  • Cursos
  • E-books
  • Open Source
  • Podcasts
  • Assuntos
  • Trilhas

Ferramentas

  • Well-Architected self-check
  • Arquitetura deste site
  • Números públicos
  • Histórico de estudo

Sobre

  • Comunidade
  • IA Builder
  • Perfil
  • Currículo (CV)
  • Trabalhe comigo
  • Media kit
  • RSS do blog
  • RSS dos estudos
  • Artigos narrados (podcast)
  • llms.txt
  • Termos, privacidade e uso de IA

(c) 2026 Fernando Francisco Azevedo

BIAN na prática: como um banco funciona por dentro/Heatmap, fronteiras e erros clássicos
Módulo 3 · O BIAN no trabalho· Aula 07/24

Heatmap, fronteiras e erros clássicos

Usar o mapa para decidir manter, comprar, construir ou aposentar, e para desenhar serviços e eventos.

5 min de leitura

Assista ao documentário desta parte: Parte 1 · O mapa do BIAN (~24 min)

Depois de seis aulas lendo o mapa, chega a hora de usá-lo para decidir. Um Service Domain pintado de vermelho vale mais numa reunião de orçamento do que qualquer slide de "transformação". Nesta aula o BIAN vira ferramenta de trabalho: heatmap, fronteira de serviço, nome de evento e os erros que eu já vi se repetirem projeto após projeto.

Cinco usos que pagam a leitura do mapa

O BIAN entra no meu dia a dia por cinco portas, e convém saber qual você está abrindo.

Vocabulário comum: quando produto, risco e engenharia chamam a mesma coisa de "conta", "contrato" e "posição", a reunião gasta metade do tempo traduzindo. Customer Agreement e Position Keeping encerram a discussão.

Heatmap de sistemas: o inventário de aplicações projetado sobre os Service Domains. É o uso que mais rende em comitê de investimento e o centro desta aula.

Fronteiras de serviço: o mapa sugere onde um serviço termina e outro começa. Sugere, não manda; volto a isso adiante.

Desenho de APIs: os padrões funcionais e os action terms da aula 03 dão nome e forma a recurso, operação e evento sem reinventar convenção a cada squad.

Ferramentas de agentes: cada Service Domain é um candidato natural a tool com escopo delimitado; a aula 09 trata disso.

Os cinco usos compartilham uma regra: o mapa descreve capacidades de negócio, não software. Quem esquece isso produz o primeiro erro clássico da lista que fecha a aula.

Heatmap: pintar cada domínio e decidir com critério

O caso é fictício: uma emissora de cartões de porte médio que também operava adquirência e decidiu sair desse negócio. Pegue os Service Domains da área de cartões e, para cada um, registre três dados: quais sistemas o cobrem, quanta dor ele gera (incidentes, fila de mudanças, retrabalho) e quanto custa manter. A cor sai desses três dados, não da opinião do dono do sistema.

Pintado o mapa, a decisão por domínio segue um critério explícito, escrito no topo da planilha para ninguém discutir caso a caso:

  • Construir quando o domínio é diferencial competitivo. Na emissora fictícia, Fraud Detection e Customer Offer: o modelo de risco e a oferta personalizada são o que o cliente percebe.
  • Comprar quando é commodity de rede ou regulada. Card Clearing, Card Network Participant Facility e Payment Settlement: ninguém ganha cliente por liquidar melhor com a bandeira.
  • Manter quando funciona bem e muda pouco. Card Authorization e Card Transaction Tracking rodam há anos com incidente raro; mexer ali é risco sem retorno.
  • Aposentar quando o domínio saiu do negócio. Merchant Acquiring Facility e Card Terminal Administration deixam de existir na operação, e o plano de saída vira item de roadmap com dono e data.

O heatmap não entrega a decisão pronta, entrega a conversa certa: quatro verbos, um critério e um mapa que todo mundo lê.

Heatmap fictício da operação de cartões: quatro decisões no mapa

Cada Service Domain do BIAN 14 leva a decisão na segunda linha. As setas seguem uma compra do portador até a cobrança; o tracejado marca apoio ou saída.

🔐 Autorização e posição
  • Card Authorization · manter: estável, muda pouco
  • Card Transaction Tracking · manter: posição do cartão
🛒 Compensação e faturamento
  • Card Clearing · comprar: commodity de rede
  • Card Network Participant Facility · comprar: regra da bandeira
  • Payment Settlement · comprar: novo no v14
  • Card Billing · comprar: fatura é commodity
  • Card Collections · manter: cobrança funciona
🤖 Risco e relacionamento
  • Fraud Detection · construir: diferencial
  • Customer Offer · construir: oferta personalizada
🗑 Adquirência (saindo do negócio)
  • Merchant Acquiring Facility · aposentar: plano de saída
  • Card Terminal Administration · aposentar: junto com a adquirência
FA
Na prática
Arquiteto de TI Especialista

Na prática, o heatmap que funciona cabe numa página e tem data. Eu pinto com o time de operação, não com o de arquitetura: quem atende o plantão sabe onde dói. E escrevo o critério de decisão antes de pintar, porque depois cada dono de sistema descobre um motivo para o seu domínio ser "diferencial competitivo".

Quiz

Heatmap do caso fictício de cartões

1. A autorização de cartão é o diferencial do emissor fictício e o sistema atual não escala. Decisão para Card Authorization?
2. Customer Billing roda num pacote de mercado estável e barato. Decisão?
3. Qual é o erro do '340 microsserviços'?

Fronteiras candidatas e nomes de evento

Service Domain é fronteira candidata de serviço, não fronteira obrigatória. O BIAN desenha cada domínio para ser autônomo; isso o torna um bom ponto de corte, mas não quer dizer que cada corte deva virar um deploy separado.

Eu agrupo domínios por três eixos: time (quem opera junto implanta junto), taxa de mudança (o que muda toda semana não convive bem com o que muda uma vez por ano) e risco (o que derruba autorização não pode dividir processo com relatório gerencial). Na emissora fictícia, Card Authorization e Card Transaction Tracking podem viver no mesmo serviço: mesmo time, mesma cadência, mesmo plantão.

Separo quando um de três sinais aparece: escala diferente (autorização em milissegundos, faturamento em lote noturno), falha que precisa ser isolada (fraude fora do ar não pode travar a compra) ou auditoria que exige trilha própria (Customer Consent e tudo que a LGPD toca).

Para eventos, uma convenção só: Behavior Qualifier mais verbo no passado. AmountBlockInitiated diz qual qualificador mudou e qual action term aconteceu. Quem recebe o evento sabe onde ele nasceu no mapa sem abrir documentação. Aplique a mesma fórmula aos seus Behavior Qualifiers e evite verbos genéricos como Updated quando o action term existe.

Quatro erros que eu vi se repetirem

Tratar o mapa como planta: o Service Landscape descreve capacidades, não componentes. Quem o lê como diagrama de implantação sai desenhando um sistema por caixa.

Os "340 microsserviços": o número é ilustrativo, a cena é real. Trocar um monólito por um serviço por Service Domain e descobrir que o custo mudou de lugar: latência de rede entre chamadas, uma pipeline de deploy por serviço e um plantão que não sabe mais onde começar a investigar. Agrupe primeiro, separe por sinal.

Semantic API como contrato de produção: a API semântica define recurso e operação, e para aí. Autenticação, idempotência de retry, formato de erro, paginação e versionamento são decisões suas. Publicar o YAML do BIAN como está é publicar um contrato pela metade.

Mapear para domínio obsoleto: Payment Execution, Payment Order e Payment Instruction não existem mais no BIAN 14. Mapeamento antigo precisa migrar para Payment Order Initiation, Payment Orchestration e os demais domínios novos, senão o heatmap nasce com fantasmas.

Fora do Brasil, o mesmo mapa ajuda a conversar: o T2 do Eurosistema usa ISO 20022 desde março de 2023; PSD3 e PSR foram propostos pela Comissão Europeia em 2023 e seguem em negociação; nos Estados Unidos o FDX é a referência de compartilhamento de dados. O domínio é o mesmo; o regulador e a mensagem mudam.

Para levar

Heatmap é cobertura, dor e custo por Service Domain, pintado com quem opera.
Construir o diferencial, comprar a commodity, manter o que funciona, aposentar o que saiu do negócio. Critério antes da tinta.
Service Domain é fronteira candidata: agrupe por time, cadência e risco; separe por escala, falha ou auditoria.
Evento é Behavior Qualifier mais verbo no passado. Semantic API é ponto de partida, não contrato de produção.
Concluir e ir para a próxima Aula anterior