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Fernando Azevedo

Arquiteto de TI Especialista

Arquitetura, AWS, IA em produção, sistemas financeiros e FinOps, escritos a partir do que foi operado, com os números.

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(c) 2026 Fernando Francisco Azevedo

BIAN na prática: como um banco funciona por dentro/Dois casos fictícios e IA Builder no banco inteiro
Módulo 5 · O BIAN no trabalho, parte 2· Aula 17/24

Dois casos fictícios e IA Builder no banco inteiro

As decisões do Banco Ipê e da Trilha, e um laço de IA que não traz nome velho para o desenho.

6 min de leitura

Assista ao documentário desta parte: Parte 2 · Um banco por dentro (~68 min)

A última aula da parte 2 junta o banco por dentro em dois casos fictícios e um laço de IA. O ponto não é decorar o mapa, é aprender a usá-lo sem trazer nome obsoleto, fronteira errada ou política escondida no código para dentro do desenho.

Dois casos, nenhum banco real

Os casos do Banco Ipê e da Trilha são fictícios, montados só com material público e com o mapa do BIAN 14.0 como referência funcional. Nenhum dos dois descreve a arquitetura interna de um banco real. Isso importa porque o exercício aqui é técnico: separar registro, decisão, contrato, evento e responsabilidade operacional.

No Banco Ipê, o problema é comum: a política de crédito está escrita dentro da esteira. Mudar um corte de score exige versão nova do sistema. O core de empréstimos funciona e fica. O objetivo é mudar a política sem tocar no contrato nem no core.

Na Trilha, a dor é outra. Cinco módulos vivem no mesmo código e no mesmo banco: cadastro, conta pré-paga, Pix, antifraude e financeiro. O mapa mostra dezessete domínios, mas isso não significa criar dezessete microsserviços. Significa enxergar as costuras antes de escolher a ordem do corte.

A lição de fechamento é simples: BIAN não decide por você. Ele reduz ambiguidade. A decisão continua sendo sua, com risco, sequência e custo de operação na mesa.

FA
Minha leitura
Arquiteto de TI Especialista

Na prática, antes de trocar um sistema, eu procuro o registro que muda mais rápido que ele. No Ipê, não era o contrato do empréstimo. Era a política de crédito. Trocar o core inteiro resolveria o problema errado.

Banco Ipê: tirar a política de dentro da esteira

O heatmap do Ipê preserva o que não precisa mudar: Session Dialogue, Party Lifecycle Management, Credit Risk Models, Customer Credit Rating, Consumer Loan e Disbursement. Compra o que não diferencia: Document Services, Correspondence e Collateral Asset Administration. Constrói onde a política e a experiência importam: Customer Offer e Underwriting. A esteira legada é aposentada no fim, não no começo.

O fluxo alvo fica mais legível. Customer Offer orquestra e guarda só o estado da oferta. Customer Credit Rating, no padrão Monitor, responde o score com versão do modelo. Underwriting decide com política versionada fora do código. Consumer Loan, no padrão Fulfill, cria o contrato no core por um adaptador. Disbursement, no padrão Transact, libera de forma idempotente. Financial Accounting, no padrão Track, lança.

O caminho oficial v14 usado no caso é POST /Underwriting/Evaluate. O cabeçalho Idempotency-Key e o campo PolicyVersion são do caso, não do BIAN. Essa distinção evita um erro silencioso: tratar uma convenção local como se fosse semântica oficial.

A migração segue cinco fases: fachada no pedido, eventos espelho, decisão em sombra, novo decide quando a divergência está explicada, esteira desligada. Sombra aqui quer dizer decidir em paralelo sem efeito no cliente, para comparar decisão antiga e nova antes de trocar o dono da resposta.

ADR do Banco Ipê

Trocar o core inteiro

Prós
  • Removeria limitações antigas em uma única iniciativa.
Contras
  • Resolveria o problema errado, porque o core de empréstimos funciona.
  • A política continuaria podendo nascer acoplada a outro sistema.

Descartado.

Separar oferta e decisão

Prós
  • Permite mudar política sem release do core.
  • Mantém o contrato no sistema que já cumpre esse papel.
Contras
  • Aumenta o custo de operar eventos e comparar decisões em sombra.

Escolha recomendada no caso.

Quiz

Os casos

1. No Banco Ipê (fictício), por que não trocar o core de empréstimos?
2. A checagem de grounding do Bedrock Guardrails pega qual destes erros?

Trilha: dezessete domínios, quatro cortes

A Trilha tem um monólito com cadastro, conta pré-paga, Pix, antifraude e financeiro no mesmo código e banco. O mapeamento em v14 fica assim: cadastro usa Party Reference Data Directory, Party Lifecycle Management e Party Authentication. Conta usa Current Account, Position Keeping e Issued Device Administration. Pix usa Payment Order Initiation, Payee Management, Payment Orchestration, Payment Confirmation, Payment Rail e Payment Settlement. Antifraude usa Fraud Evaluation, Fraud Diagnosis e Fraud Resolution. Financeiro usa Financial Accounting e Regulatory Reporting.

A ordem do corte não vem do número de domínios. Vem do risco. Primeiro cadastro, porque todos escrevem nele. Depois antifraude, porque tem dono e ritmo próprios. Depois financeiro, porque recebe eventos sem tocar no fluxo do cliente. Pix fica por último, porque é fluxo de 24 horas e tolera menos experimento.

Antes de cada corte, entram eventos espelho com nomes claros: PartyReferenceDataDirectory.Reference.Updated, CurrentAccount.AmountBlock.Initiated, CurrentAccount.DebitandCredit.Executed, PaymentOrderInitiation.OrderInitiation.Initiated e FraudEvaluation.Models.Evaluated. Essa forma é minha, usando domínios e qualifiers oficiais para dar disciplina ao contrato.

A Lei 12.865/2013, art. 12, muda o desenho: recursos em conta de pagamento são patrimônio separado. Para a arquitetura, o saldo do cliente tem um dono só e nenhum serviço novo mantém saldo paralelo.

Erros que a Trilha evita

Um microsserviço por domínio: o mapa não é organograma de deploy.
Cortar Pix primeiro: o fluxo de 24 horas é o pior lugar para aprender a estrangular o monólito.
Saldo duplicado: a conta de pagamento exige um dono claro para o saldo, não cópias otimistas em serviços novos.
Confundir costura com sequência: dezessete domínios mostram as costuras, mas a ordem vem do risco.

Laço de IA Builder, do pedido ao ADR

O agente ajuda a mapear, mas o validador e o arquiteto impedem que nome obsoleto ou fonte errada vire desenho oficial.

👤 Arquitetura: pedido e decisão
  • Pedido do arquiteto · parte do banco ou produto local
  • ADR · mapeamento decidido
🤖 IA: proposta com grounding
  • Agente IA Builder · propõe domínio e padrão
  • Fichas BIAN v14 · versão fixada
  • Contextual grounding check · fonte pergunta conteúdo
🔐 Controle: lista fechada
  • Validador em código · rejeita obsoleto e inventado
  • Arquiteto · aceita ajusta ou recusa

IA Builder no banco inteiro

O laço de IA Builder fecha o curso porque ele força uma disciplina: a IA rascunha, o código valida, o arquiteto decide. O arquiteto pede o mapeamento. O agente busca nas fichas v14 indexadas com versão fixada. Ele propõe domínio, padrão e trecho da ficha. O validador usa lista fechada: fora da lista rejeita; obsoleto rejeita e devolve o substituto anunciado quando existe, como Payment Order para Payment Confirmation; novo sem status passa marcado como novo. Depois vem checagem de grounding, e a decisão entra no ADR.

Amazon Bedrock Guardrails, no contextual grounding check, mede duas coisas: grounding, se a resposta está apoiada na fonte, e relevância, se responde à pergunta. O limiar é configurável de 0 a 0,99. Ele precisa de fonte, pergunta e conteúdo. Pega justificativa inventada, mas não pega nome certo de versão errada se a fonte indexada for a errada. Também não decide escopo de norma.

Os modos de falha da parte 2 são práticos: cenário oficial com linha de vida obsoleta, falso amigo como Suitability Checking, nomes parecidos com status diferentes como Direct Debit e Direct Debit Collection, domínio inventado para conceito local como KYC, boleto ou conta-salário.

LGPD art. 20 trata revisão de decisão automatizada, inclusive perfil de crédito. Circular 3.978 art. 44 lembra que análise de lavagem não se terceiriza. A IA apoia o analista, com trilha. Ela não substitui responsabilidade.

Ordenar

A migração estranguladora

Ordene as cinco camadas, da primeira à última.

  1. 1Fachada: toda chamada passa por uma porta nova
  2. 2Eventos espelho: o legado publica fatos com nomes v14
  3. 3Desligar: o legado perde a última função
  4. 4Escrita nova: o domínio novo vira dono do registro
  5. 5Leitura nova: consultas saem do domínio novo

Como medir o laço

v14
Versão fixada
A avaliação só vale se a fonte indexada estiver congelada na mesma versão.
0 a 0,99
Limiar configurável
Use no contextual grounding check para grounding e relevância.
4
Sinais acompanhados
Precisão por domínio, taxa de nomes rejeitados, concordância com o arquiteto e reexecução a cada troca de modelo ou versão.

Cinco passos para a próxima semana

  1. 1

    Fixe a versão

    Escolha BIAN 14.0 e impeça que o repositório misture nomes de versões diferentes.

  2. 2

    Aplique as três perguntas

    Escolha uma parte do banco e faça as três perguntas: quem é o dono do registro, qual é o padrão funcional e que fato ele publica.

  3. 3

    Mapeie um produto local pelo comportamento

    Use o que o produto faz, não o nome local. KYC, boleto e conta-salário não viram domínio por vontade do projeto.

  4. 4

    Confira um cenário nome por nome

    Pegue a linha de vida oficial e valide cada nome contra a lista v14 antes de desenhar setas.

  5. 5

    Registre o primeiro desvio

    Quando o mapa não encaixar, escreva um ADR. O valor está em explicar a exceção, não em fingir aderência.

Flashcards

Recapitulação da parte 2

Toque num cartão para virar.

Fechamento

O que a parte 2 deveria mudar no meu trabalho?

Você deve sair menos impressionado com nomes de sistemas e mais atento a registros, padrões, eventos, responsabilidades e normas que limitam a decisão.

Quando usar IA nesse processo?

Use IA para rascunhar mapeamentos e contratos com fonte fixada, lista fechada, grounding e revisão humana. Sem isso, ela só acelera erro com vocabulário bonito.

Qual é o próximo passo no curso?

Siga para a parte 3, o crédito por dentro: o documentário e as aulas 18 a 24 do módulo 6 levam o mesmo método para as linhas de crédito, a decisão, os limites, as garantias e a cobrança. O exame final e o certificado ficam na página do curso; o certificado deve provar que você sabe usar o mapa com decisão, não que decorou uma lista de domínios.

Concluir e ir para a próxima Aula anterior