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Fernando Azevedo

Arquiteto de TI Especialista

Arquitetura, AWS, IA em produção, sistemas financeiros e FinOps, escritos a partir do que foi operado, com os números.

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(c) 2026 Fernando Francisco Azevedo

BIAN na prática: como um banco funciona por dentro/Da proposta à decisão: originação, SCR e Cadastro Positivo
Módulo 6 · O crédito por dentro· Aula 19/24

Da proposta à decisão: originação, SCR e Cadastro Positivo

O pedido de consignado da Marina e o de giro do Café Aurora, do primeiro clique à decisão, com quem decide e quem só consulta.

6 min de leitura

Assista ao documentário desta parte: Parte 3 · O crédito por dentro (~81 min)

Marina pede um consignado privado de R$ 20 mil em 36 parcelas. Rafael pede capital de giro para o Café Aurora Centro. A pergunta perigosa não é se a tela aceita a proposta, é quem decide crédito, quem só consulta dado e qual registro prova que a consulta podia acontecer.

A proposta não nasce como dívida

Na originação, o primeiro erro é tratar o clique da Marina como um contrato. Ele ainda é uma intenção. O banco precisa entender o produto, a elegibilidade, a relação do cliente, a capacidade de pagamento, a política de crédito e a contabilidade que será afetada se a operação for aprovada.

Os quatro cenários oficiais de originação de empréstimo pessoal no BIAN 14.0 ajudam a separar essas responsabilidades. Em Handle Request for Consumer Loan Checks and Options, aparecem Party Reference Data Directory, Customer Offer, Product Directory, Lead and Opportunity Management, Customer Agreement, Customer Product And Service Eligibility, Session Dialogue e Party Lifecycle Management. As mensagens incluem Verify Product Eligibility e Retrieve Customer Master Agreement.

Depois vem Handle Request for Consumer Loan Configuration and Pricing, com Consumer Loan, Customer Offer, Session Dialogue, Customer Credit Rating e Product Directory. Aqui entram Get customer credit assessment e Get Product Pricing and Options.

Na leitura do autor, essa sequência ensina algo simples: Customer Offer orquestra a conversa comercial, mas não vira juiz de crédito. Quem confunde orquestração com decisão coloca regra crítica no lugar errado e depois não consegue explicar a negativa, a taxa ou a exigência de garantia.

FA
Na prática
Arquiteto de TI Especialista

Eu desenho originação de crédito começando pela fronteira de decisão. Se Underwriting decide, ele precisa receber evidência, política e rating com versão. Ele não precisa guardar todos os dados consultados. Essa separação reduz auditoria artesanal quando alguém pergunta por que Marina foi aprovada ou por que Rafael recebeu uma condição diferente.

Originação com Underwriting no centro

O desenho separa conversa comercial, dados consultados, decisão de crédito e visão agregada do banco.

👤 Cliente: Entrada
  • Session Dialogue · Coleta intenção
  • Customer Offer · Orquestra oferta
📦 Produto: Elegibilidade
  • Customer Product And Service Eligibility · EligibilityCheck
  • Product Matching · Produtos elegíveis
  • Product Directory · Preço e opções
🔍 Dados: Evidência
  • Customer Credit Rating · Rating interno e externo
  • Information Provider Operation · Feeds comerciais
  • Financial Statement Assessment · Balanço do Café Aurora
⚖ Crédito: Decisão
  • Underwriting · Determinação condicional
  • Credit Management · Visão de crédito do banco
  • Financial Accounting · Update GL Accounts

SCR e Cadastro Positivo entram como evidência, não como atalho

O SCR, pela Res. CMN 5.037/2022, tem finalidades de supervisão e intercâmbio entre instituições, conforme o art. 2º. O art. 3º inclui operações como empréstimos, financiamentos, arrendamento, aval e fiança, créditos a liberar, créditos baixados como prejuízo e cartão, independentemente do adimplemento. Sociedade de crédito direto também reporta, pelo art. 4º, XX.

O titular acessa seus dados pelo art. 8º. Na prática do cidadão, a consulta acontece pelo Registrato, com conta gov.br nível prata ou ouro e verificação em duas etapas. A instituição só consulta com autorização específica do cliente, art. 12, e deve haver comunicação prévia, art. 13. Atraso igual ou superior a sessenta meses fica fora do intercâmbio, art. 14. A página do BCB informa registro a partir de R$ 200,00 de risco e alimentação mensal.

Cadastro Positivo segue outra lógica. Pela Lei 12.414/2011, com a LC 166/2019, o gestor está autorizado a abrir o cadastro, com inclusão automática e direito de saída, e disponibilizar a nota de crédito. O cadastrado deve ser comunicado em até 30 dias com canais de cancelamento. O art. 5º garante cancelamento ou reabertura, acesso gratuito ao histórico e à nota, correção em até 10 dias, conhecimento dos principais elementos e critérios da análise, e revisão de decisão realizada exclusivamente por meios automatizados.

A jornada do consignado da Marina

  1. 1

    1. Intenção e sessão

    Marina informa que quer um consignado privado de R$ 20 mil em 36 parcelas. Session Dialogue segura a conversa. Customer Offer organiza a oferta, sem decidir crédito.

  2. 2

    2. Produto e elegibilidade

    Customer Product And Service Eligibility avalia a elegibilidade, usando POST /CustomerProductAndServiceEligibility/{id}/EligibilityCheck/Evaluate. Quando precisa achar produtos adicionais, chama Product Matching.

  3. 3

    3. Acordo e autorização

    A consulta ao SCR exige autorização específica. No mapa, isso é registro auditável com data e finalidade, leitura do autor, não fato textual do BIAN nem da norma.

  4. 4

    4. Rating e decisão

    Customer Credit Rating pode integrar dados externos de agências de crédito com dados transacionais internos. Underwriting considera capacidade de pagamento e credit worthiness, e pode levar risco para taxa ou garantia.

  5. 5

    5. Fechamento

    No cenário Handle Request for Consumer Loan Complete Origination, Credit Management recebe Add Asset to Credit View e Financial Accounting executa Update GL Accounts. A dívida nasce quando a decisão e o fechamento existem, não no primeiro clique.

Ordenar

O consignado da Marina, da proposta ao contrato

Ordene os passos (a ordem é do autor; o cenário oficial lista as linhas de vida).

  1. 1Customer Product And Service Eligibility confere a elegibilidade
  2. 2Information Provider Operation traz os dados externos autorizados
  3. 3Customer Credit Rating atualiza o rating
  4. 4Consumer Loan registra o contrato
  5. 5Credit Management põe a operação na visão de crédito do banco
  6. 6Customer Offer abre a proposta
  7. 7Underwriting decide

Underwriting decide, os vizinhos fornecem evidência

Underwriting, no BIAN 14.0, considera a capacidade do tomador de financiar o empréstimo com base nos fluxos de caixa conhecidos e na credit worthiness. A operação pode ser condicional. A ficha fala em Make (conditional if needed) underwriting determination, e as APIs incluem POST /Underwriting/Evaluate e PUT /Underwriting/{underwritingid}/Grant.

Customer Credit Rating é um domínio Monitor com 12 operações. Ele pode integrar dados externos de agências de crédito com dados transacionais internos, e sua ficha destaca Access external rating agencies for customer credit reports. Information Provider Operation opera a interface para importar feeds de provedores comerciais. Esses domínios não deveriam virar decisão escondida.

Para o Café Aurora Centro, entra Financial Statement Assessment. Ele é um domínio Assess com 26 operações e BQs como AssetandLiabilityValuationTest, LiquidityandCashFlowTest, RiskTest e SensitivityTest. No cenário Review Borrower Financial Statements, view 55768, aparecem Assess Financial Statement e Update Customer Credit Rating.

Credit Management fecha outro nível. Ele mantém a perspectiva de crédito do banco inteiro, avalia o encaixe de uma proposta nas políticas e prioridades de crédito e reprecifica grandes operações. A ficha usa central bank no sentido de função central do banco, não Banco Central. Credit and Margin Management define políticas de crédito e margem, mas aqui não há API citada.

O que precisa ficar explícito no desenho

Customer Offer orquestra a oferta. Underwriting decide crédito. Credit Management enxerga a proposta dentro da carteira e das prioridades de crédito do banco.
A autorização do SCR não é detalhe de tela. Na leitura do autor, ela precisa virar evidência auditável com data e finalidade.
Cadastro Positivo não elimina explicabilidade. O cliente tem direito de conhecer os principais elementos e critérios da análise e pedir revisão de decisão exclusivamente automatizada.
O CDC, no art. 54-D, II, exige avaliação responsável das condições de crédito antes da contratação. Isso muda o desenho: decisão sem trilha é passivo operacional.

Três erros que eu procuro cedo

O primeiro erro é Customer Offer decidir crédito. Parece prático porque a oferta está perto da tela, do preço e da campanha. Mas a proximidade com o cliente não dá autoridade de risco. Customer Offer pode incluir checagem de documentos, alocação de garantia, avaliação de crédito e decisão de underwriting na sua orquestração, mas isso não transforma orquestrador em dono da decisão.

O segundo erro é aprovar ou negar sem versão do modelo e da política. Score de aplicação, score de comportamento e safra são práticas de mercado, não definições normativas aqui. Mesmo assim, quando aparecem no desenho, precisam ter versão, motivo e evidência. Sem isso, a discussão vira opinião depois do incidente.

O terceiro erro é consultar SCR sem autorização registrada. A norma exige autorização específica do cliente para a consulta pela instituição. Na leitura do autor, a modelagem correta trata essa autorização como um registro auditável, com data e finalidade. Se a autorização fica perdida num log textual, ela até pode existir, mas não opera bem.

A lição dura por trás disso: originação de crédito não é uma tela bonita com chamada de bureaus, é uma cadeia de responsabilidade. Cada domínio precisa saber se decide, consulta, registra ou contabiliza.

Quiz

SCR e Cadastro Positivo

1. Pela Res. CMN 5.037, a instituição pode consultar o SCR da Marina sem pedir nada a ela?
2. Qual direito a Lei 12.414 dá à Marina sobre a nota de crédito?

Perguntas que evitam desenho ruim

Se a Marina já é cliente, o banco pode consultar o SCR dela sem pedir?

Não. Pela Res. CMN 5.037, art. 12, a consulta da instituição depende de autorização específica do cliente, e a norma não abre exceção para quem já tem conta. O art. 13 ainda pede comunicação prévia de que os dados irão ao SCR.

Quem guarda os dados que Underwriting consulta?

Não assuma que é o próprio Underwriting. Quem decide não guarda todos os dados que consulta. Customer Credit Rating, Information Provider Operation e Financial Statement Assessment existem justamente para separar evidência, integração e avaliação especializada.

O que muda no caso do Café Aurora Centro?

Além da conversa de produto e elegibilidade, entra balanço. Financial Statement Assessment avalia demonstrações financeiras e pode atualizar Customer Credit Rating. A decisão continua em Underwriting, com Credit Management fechando a visão de crédito do banco.

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